OS CINCO PRECEITOS

17:37 Maisa

O estabelecimento de uma relação harmoniosa e virtuosa com o mundo traz bem-estar e leveza ao coração e clareza imperturbável para a mente. Uma base virtuosa traz grande felicidade e liberação em si mesma e é a precondição para a meditação sábia. Com essa base podemos estar conscientes e não desperdiçar a extraordinária oportunidade de um nascimento humano, a oportunidade de crescer em compaixão e na compreensão verdadeira em nossa vida.

O Buddha delimitou cinco áreas de moralidade básica que levam à uma vida consciente. Estas regras de treinamento não são mandamentos; são guias de direção que nos ajudam a viver mais harmoniosamente e a desenvolver a paz e o poder da mente.

Primeiro Preceito:

OBSERVO O PRECEITO DE ABSTER-ME DE DESTRUI OS SERES VIVOS.

Significa honrar toda a vida, não agir por conta do ódio ou da aversão de tal modo que cause mal a qualquer criatura viva. A idéia é trabalhar para desenvolver uma reverência e amor pela vida em todas as suas formas. Ciente do sofrimento causado pela destruição da vida, comprometo-me cultivar a compaixão e aprender meios de proteger a vida das pessoas, dos animais e das plantas. Estou determinado a não matar e a não deixar outros matar como também não desculpar qualquer ato de morte no mundo, em meu pensamento e no meu modo de vida.

Segundo Preceito:

OBSERVO O PRECEITO DE ABSTER-ME DE TOMAR O QUE NÃO ME FOR DADO
.

Significa que não devemos tirar o que é dos outros. Precisamos abandonar a avidez e não pegar demais. Ciente do sofrimento causado pela exploração, injustiça social, roubo e opressão, comprometo-me cultivar a bondade amorosa e aprender meios de trabalhar para o bem estar das pessoas, animais e plantas. Comprometo-me a praticar a generosidade dividindo meu tempo, energia e recursos materiais com aqueles que estão necessitando. Estou determinado a não roubar e não possuir o que pertença a pessoa.

Terceiro Preceito:

OBSERVO O PRECEITO DE ABSTER-ME DE MÁ CONDUTA SEXUAL.


Ciente do sofrimento causado pela má conduta sexual, comprometo-me cultivar a
 responsabilidade e aprender meios para proteger a segurança e a integridade dos indivíduos, casais, famílias e da sociedade. A fim de preservar a minha felicidade e a dos outros estou determinado a respeitar meus compromissos e os dos outros.

Quarto Preceito:

OBSERVO O PRECEITO DE ABSTER-ME DA PALAVRA FALSA.


Ciente do sofrimento causado pela fala irrefletida e também pela inabilidade em ouvir as pessoas, dedico-me a cultivar a palavra amorosa, gentil e verdadeira. Dedico-me também a escutar as pessoas com o propósito de trazer alegria e felicidade a elas e aliviar seus sofrimentos. Prometo aprender a falar a verdade, usando palavras que inspirem confiança, alegria e esperança. Evitarei proferir palavras que possam causar divisão ou discórdia numa família ou numa comunidade. Não medirei esforços para reconciliar e resolver conflitos.

Quinto Preceito:


OBSERVO O PRECEITO DE ABSTER-ME DE TOMAR SUBSTÂNCIAS QUE PERTURBAM A MENTE.


Significa que devemos evitar usar tóxicos à ponto de tornar nossa mente turva e devemos devotar nossas vidas para desenvolver a clareza e a vigilância. Temos apenas uma mente, portanto devemos cuidar bem dela. Existe milhares de alcoólatras e de pessoas que abusam das drogas. Sua inconsciência e o uso das drogas causa-lhes muita dor, assim como às suas famílias e a todos com quem mantém contato. Viver conscientemente não é fácil – significa que muitas vezes teremos que enfrentar medos e dores que desafiam nosso coração.

O quinto preceito e o terceiro estão interligados. Ambos tratam de comportamentos destrutivos e desestabilizadores. Estes preceitos são remédios certos para curar-nos. Precisamos apenas nos observar e também a aqueles próximos a nós para vermos a verdade. Nossa estabilidade, da nossa família e da sociedade não pode ser obtida sem a prática desses preceitos. Observando indivíduos e famílias que são instáveis e infelizes, veremos que muitos deles não praticam esses preceitos. Praticar esses preceitos é o melhor meio de restaurar a estabilidade no seio da família e na sociedade. Para muitas pessoas esses preceitos são fáceis de serem seguidos, para outros, muito difícil. É importante para essas pessoas juntar-se a outras e compartilhar suas experiências.

O MUNDO ESTÁ EM SUAS MÃOS

17:15 Maisa

MENSAGEM

17:13 Maisa

A CARTA DA TERRA

09:06 Maisa

PREÂMBULO
Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.

 Terra, Nosso Lar 
 A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra são um dever sagrado.

 A Situação Global
 Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, redução dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo  arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos eqüitativamente e o fosso entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causa de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não  inevitáveis.

 Desafios Para o Futuro
 A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem atingidas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais, não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos ao meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construirum mundo democrático e humano. Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos forjar soluções includentes.

 Responsabilidade Universal
 Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade terrestre bem como com nossa comunidade local. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões locais e globais estão ligadas. Cada um compartilha da responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida, e com humildade considerando em relação ao lugar que ocupa o ser humano na  natureza. Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como critério comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos, e instituições transnacionais será guiada e avaliada.

 PRINCÍPIOS

 I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DA VIDA

 1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.

a. Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.

b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.

 2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.

a. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.

b. Assumir que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder implica responsabilidade na promoção do bem comum.

 3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.

a. Assegurar que as comunidades em todos níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada um a oportunidade de realizar seu pleno potencial.

b. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a consecução de uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.

 4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.

a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.

b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem, em longo prazo, a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra.

 Para poder cumprir estes quatro amplos compromissos, é necessário:


 II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA

 5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.

a. Adotar planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável em todos os níveis que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
b. Estabelecer e proteger as reservas com uma natureza viável e da biosfera, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçados.
d. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente, e prevenir a introdução desses organismos daninhos.
e. Manejar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de forma que não excedam as taxas de regeneração e que protejam a sanidade dos ecossistemas.
f. Manejar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que diminuam a exaustão e não causem dano ambiental grave.


 6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.
a. Orientar ações para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais mesmo quando a informação científica for incompleta ou não conclusiva.
b. Impor o ônus da prova àqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que os grupos sejam responsabilizados pelo dano ambiental.
c. Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas conseqüências humanas globais, cumulativas, de longo prazo, indiretas e de longo alcance.
d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
e. Evitar que atividades militares causem dano ao meio ambiente.


 7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.


a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
b. Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis, como a energia solar e do vento.
c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais saudáveis.
d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais.
e. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.


 8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido.


a. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
b. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuam para a proteção ambiental e o bem-estar humano.
 c. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis ao domínio público.



 III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA


 9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.


a .Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os recursos nacionais e internacionais requeridos.
b. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma subsistência sustentável, e proporcionar seguro social e segurança coletiva a todos aqueles que não são capazes de manter-se por conta própria.
c. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem, e permitir-lhes desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações.


 10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável.


a. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e entre as nações.
b. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e isentá-las de dívidas internacionais onerosas.
c. Garantir que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.
d. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas conseqüências de suas atividades.


 11. Afirmar a igualdade e a eqüidade de gênero como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas.


a. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
b. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
c. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e a educação amorosa de todos os membros da família.


 12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, concedendo especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.


a. Eliminar a discriminação em todas suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
b. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas a formas sustentáveis de vida.
c. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
d. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.



 IV. DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ


 13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões, e acesso à justiça.


a. Defender o direito de todas as pessoas no sentido de receber informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que poderiam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
b. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações na tomada de decisões.
c. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembléia pacífica, de associação e de oposição.
d. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos administrativos e judiciais independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.
e. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
f. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde
possam ser cumpridas mais efetivamente.


 14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida  sustentável.
a. Oferecer a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
b. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.
c. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no sentido de aumentar a sensibilização para os desafios ecológicos e sociais.
d. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável.


 15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.


a. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimentos.
b. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
c.Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.


 16. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz.

a. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
b. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
c. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não-provocativa da defesa e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
d. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.
e. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico mantenha a proteção ambiental e a paz.
f. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.


 O CAMINHO ADIANTE


Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.


 Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar e expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca iminente e conjunta por verdade e sabedoria.


 A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Porém, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.


 Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento.


 Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.

fonte: http://www.comitepaz.org.br/carta_da_terra.htm


O documento é resultado de uma década de diálogo intercultural, em torno de objetivos comuns e valores compartilhados. O projeto começou como uma iniciativa das Nações Unidas, mas se desenvolveu e finalizou como uma iniciativa global da sociedade civil. Em 2000 a Comissão da Carta da Terra, uma entidade internacional independente, concluiu e divulgou o documento como a carta dos povos. A redação da Carta da Terra envolveu o mais inclusivo e participativo processo associado à criação de uma declaração internacional. Esse processo é a fonte básica de sua legitimidade como um marco de guia ético. A legitimidade do documento foi fortalecida pela adesão de mais de 4.500 organizações, incluindo vários organismos governamentais e organizações internacionais.

http://www.cartadaterrabrasil.org/prt/index.html

SOMOS TODOS UM - DOCUMENTÁRIO

18:19 Maisa


Filme reúne entrevistas com o Dalai Lama, o escritor Deepak Chopra e outros.
 Da Reuters


SÃO PAULO - Depois de o mercado editorial em todo o mundo ter sido inundado por publicações de auto-ajuda, nas últimas décadas, agora é o cinema que começa a abrir suas portas para obras que exaltam o poder mental e espiritual do ser humano.

 Seguindo a mesma proposta dos recentes "Quem somos nós?" e "O segredo", chega às telas do país "Somos todos um".

 Dirigido por Ward Powers, um advogado sem nenhuma experiência cinematográfica anterior, o documentário coloca as chamadas grandes questões a gurus da auto-ajuda, líderes espirituais e gente comum. "O que acontece quando morremos?", "qual o sentido da vida?" e "descreva Deus" são algumas das indagações que sustentam "Somos todos um".

Para tentar responder a essas dúvidas, entram em cena personalidades como o Dalai Lama, o escritor Deepak Chopra, o monge budista vietnamita Thich Nhat Hahn, indicado ao Prêmio Nobel da Paz, e Robert Thurman, acadêmico, ex-monge budista e pai da atriz Uma Thurman.

 Surgem também figuras menos conhecidas e mais inusitadas. Barbara Marx Hubbard é uma mulher que se diz arquiteta social e fundadora de uma sociedade que visa a harmonia universal.

 Já Dragonfly, também chamada de "Fada do Woodstock", mora em um refúgio nas montanhas e passa o tempo enfeitando o rosto de crianças - para ela, os anos hippies parecem não ter acabado. Há também o sem-teto Chris Willis que mora no Colorado e diz ter algo espiritual a ensinar às pessoas.

 O que muitos dos entrevistados parecem ter em comum é a opinião de que temos medo de nós mesmos, e que há um preço quando se confronta suas fobias e ansiedades.

 Ward resolveu fazer esse filme pouco depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, quando teve a impressão de que o mundo estava se dividindo em grupos opostos. Ele acredita que com seu documentário poderá promover a união universal.

 Com uma visão "new age" do mundo, "Somos todos um" teve uma distribuição peculiar nos Estados Unidos, quando ficou pronto, em 2005. Sem apoio de grandes empresas ou distribuidoras, Ward lançou o filme em poucas salas e foi expandindo-o para o restante do país e outros continentes.

DOCUMENTÁRIO - HOME

17:56 Maisa

Fantástico documentário
HOME -  Yann Arthus-Bertrand

Estamos vivendo em tempos excepcionais. Os cientistas nos dizem que temos 10 anos para mudar a maneira como vivemos, evitar o esgotamento dos recursos naturais e a evolução catastrófica do clima da Terra. As apostas são altas para nós e nossos filhos. Todos devem participar no esforço, e HOME foi concebido para levar uma mensagem de mobilização a cada ser humano.
site oficial do filme: http://www.homethemovie.org/
* clique no botão vermelho CC e depois clique em espanhol.





ECOLOGIA PROFUNDA - FRITJOF CAPRA

14:52 Maisa

Em livro, A Teia da Vida (Cultrix-Amana), Fritjof Capra mostra como a ecologia profunda - a concepção que não separa os homens da natureza - ganha relevância na nova visão da realidade.
Por Fritjof Capra (*)
Doutor em física teórica pela Universidade de Viena, autor de O Tao da Física, O Ponto de Mutação e Sabedoria Incomum

À medida que o século se aproxima do fim, as preocupações com o meio ambiente adquirem suprema importância. Defrontamo-nos com toda uma série de problemas globais que estão danificando a biosfera e a vida humana de uma maneira alarmante, e que pode logo se tornar irreversível. Quanto mais estudamos os principais problemas de nossa época, mais somos levados a perceber que eles não podem ser entendidos isoladamente. São problemas sistêmicos, o que significa que estão interligados e são interdependentes. Por exemplo, somente será possível estabilizar a população quando a pobreza for reduzida em âmbito mundial. A extinção de espécies animais e vegetais numa escala massiva continuará enquanto o hemisfério meridional estiver sob o fardo de enormes dívidas. A escassez dos recursos e a degradação do meio ambiente combinam-se com populações em rápida expansão, o que leva ao colapso das comunidades locais e à violência étnica e tribal que se tornou a característica mais importante da era pós-guerra fria. Em última análise, esses problemas precisam ser vistos, exatamente, como diferentes facetas de uma única crise, que é, em grande medida, uma crise de percepção. Há soluções para os principais problemas de nosso tempo, alguns delas até mesmo simples. Mas requerem uma mudança radical em nossas percepções, no nosso pensamento e nos nossos valores. E, de fato, estamos agora no princípio dessa mudança fundamental de visão de mundo na ciência e na sociedade, uma mudança de paradigma tão radical como foi a revolução copernicana. Porém, essa compreensão ainda não despontou entre a maioria dos nossos líderes políticos. O reconhecimento de que é necessária uma profunda mudança de percepção e de pensamento para garantir a nossa sobrevivência ainda não atingiu a maioria dos líderes das nossas grandes universidades. Nossos líderes não só deixam de reconhecer como diferentes problemas estão inter-relacionados; eles também se recusam a reconhecer como suas assim chamadas soluções afetam as gerações futuras. A partir do ponto de vista sistêmico, as únicas soluções viáveis são as soluções "sustentáveis". O conceito de sustentabilidade adquiriu importância-chave no movimento ecológico e é realmente fundamental. Este, em resumo, é o grande desafio do nosso tempo: as chances das gerações futuras.

A Mudança de Paradigma

Na minha vida de físico, meu principal interesse tem sido a dramática mudança de concepções e idéias que ocorreu na física durante os primeiros 30 anos deste século, que ainda está sendo elaborada em nossas atuais teorias da matéria. As novas concepções da física têm gerado uma profunda mudança em nossas visões de mundo; da visão de mundo mecanicista de Descartes e de Newton para uma visão holística, ecológica. A nova visão da realidade não era, em absoluto, fácil de ser aceita pelos físicos no começo do século. A exploração dos mundos atômico e subatômico colocou-os em contato com uma realidade estranha e inesperada. Em seus esforços para apreender essa nova realidade, os cientistas ficaram dolorosamente conscientes de que suas concepções básicas, sua linguagem e todo o seu modo de pensar eram inadequados para descrever os fenômenos atômicos. Seus problemas não eram meramente intelectuais, mas alcançavam as proporções de uma intensa crise emocional e, poder-se-ia dizer, até mesmo existencial. Eles precisaram de um longo tempo para superar essa crise, mas, no fim, foram recompensados por profundas introvisões sobre a natureza da matéria e de sua relação com a mente humana. As dramáticas mudanças de pensamento ocorridas na física no princípio deste século têm sido amplamente discutidas por físicos e filósofos durante mais de 50 anos. Elas levaram Thomas Kuhn à noção de um "paradigma" científico, definido como "uma constelação de realizações - concepções, valores, técnicas, etc. - compartilhada por uma comunidade científica e usada por essa comunidade para definir problemas e soluções legítimos". Mudanças de paradigmas, para Kuhn, ocorrem sob a forma de rupturas descontínuas e revolucionárias. Hoje, 25 anos depois da análise de Kuhn, reconhecemos a mudança de paradigma em física como parte integral de uma transformação cultural muito mais ampla. A crise intelectual dos físicos quânticos nos anos 20 espelha-se hoje numa crise cultural semelhante, porém muito mais ampla. Conseqüentemente, o que estamos vendo é uma mudança de paradigmas que está ocorrendo não apenas no âmbito da ciência, mas também na arena social, em proporções ainda mais amplas. O paradigma que está agora retrocedendo dominou nossa cultura por várias centenas de anos, durante as quais modelou nossa moderna sociedade ocidental e influenciou significativamente o restante do mundo. Esse paradigma consiste em várias idéias e valores entrincheirados, entre os quais a visão do universo como um sistema mecânico composto de blocos de construção elementares, a visão do corpo humano como uma máquina, a visão da vida em sociedade como uma luta competitiva pela existência, a crença no progresso material ilimitado, a ser obtido por intermédio de crescimento econômico e tecnológico, e - por fim, não menos importante - a crença em que uma sociedade na qual a mulher é, por toda a parte, classificada em posição inferior à do homem é uma sociedade que segue uma lei básica da natureza. Todas essas suposições têm sido decisivamente desafiadas por eventos recentes. E, na verdade, está ocorrendo, na atualidade, uma revisão radical dessas suposições.

Ecologia Profunda


O novo paradigma pode ser chamado de uma visão de mundo holística, que concebe o mundo como um todo integrado, e não como uma coleção de partes dissociadas. Pode também ser denominado visão ecológica, se o termo "ecologia" for empregado num sentido muito mais amplo e profundo que o usual. A percepção ecológica profunda reconhece a independência fundamental de todos os fenômenos e o fato de que, enquanto indivíduos e sociedades, estamos todos encaixados nos processos cíclicos da natureza (e, em última análise, somos dependentes desses processos). Os dois termos, "holístico" e "ecológico", diferem ligeiramente em seus significados, e parece que "holístico" é um pouco menos apropriado para descrever o novo paradigma. Uma visão holística, digamos, de uma bicicleta significa ver a bicicleta como um todo funcional e compreender, em conformidade com isso, as interdependências das suas partes. Uma visão ecológica da bicicleta inclui isso, mas acrescenta-lhe a percepção de como a bicicleta está encaixada no seu ambiente natural e social - de onde vêm as matérias-primas que entram nela, como foi fabricada, como seu uso afeta o meio ambiente natural e a comunidade pela qual ele é usada, e assim por diante. Essa distinção entre "holístico" e "ecológico" é ainda mais importante quanto falamos sobre sistemas vivos, para os quais as conexões com o meio ambiente são muito mais vitais. O sentido em que eu uso o termo "ecológico" está associado a uma escola filosófica específica e, além disso, a um movimento popular global conhecido como "ecologia profunda", que está rapidamente adquirindo proeminência. A escola filosófica foi fundada pelo filósofo norueguês Arne Naess, no início dos anos 70, com sua distinção entre "ecologia rasa" e "ecologia profunda". A ecologia rasa é antropocêntrica, ou centralizada no ser humano. Ela vê os seres humanos como situados acima ou fora da natureza, como a fonte de todos os valores, e atribui apenas um valor instrumental, ou de "uso", à natureza. A ecologia profunda não separa seres humanos - ou qualquer outra coisa do meio ambiente natural. Ela vê o mundo não como uma coleção de objetos isolados, mas como uma rede de fenômenos que estão fundamentalmente interconectados e são interdependentes. A ecologia profunda reconhece o valor intrínseco de seres vivos e concebe os seres humanos apenas como um fio particular na teia da vida. Em última análise, a percepção da ecologia profunda é percepção espiritual ou religiosa. Quando a concepção de espírito humano é entendida como o modo de consciência no qual o indivíduo tem uma sensação de pertinência, de conexidade, com o cosmos como um todo, torna-se claro que a percepção ecológica é espiritual na sua essência mais profunda. Não é, pois, de se surpreender o fato de que a nova visão emergente da realidade baseada na percepção ecológica profunda é consistente com a chamada filosofia perene das tradições espirituais. Há outro modo pelo qual Naess caracterizou a ecologia profunda. "A essência da ecologia profunda", diz ele, "consiste em formular questões mais profundas". É também essa a essência de uma mudança de paradigma. Precisamos estar preparados para questionar cada aspecto isolado do velho paradigma.

Ecologia social e ecofeminismo

Além da ecologia profunda, há duas importantes escolas filosóficas de ecologia, a ecologia social e a ecologia feminista, ou "ecofeminismo". Em anos recentes, tem havido um vivo debate dos méritos relativos dessas três escolas. Parece-me que cada uma delas aborda aspectos importantes do paradigma ecológico e, em vez de competir uns com os outros, seus proponentes deveriam tentar integrar suas abordagens numa visão ecológica coerente. A percepção ecológica profunda parece fornecer a base filosófica e espiritual ideal para um estilo de vida ecológico e para o ativismo ambientalista. No entanto, não nos diz muito a respeito das características e dos padrões culturais de organização social que produziram a atual crise ecológica. É esse o foco da ecologia social. O solo comum das várias escolas de ecologia social é o reconhecimento de que a natureza fundamentalmente antiecológica de muitas de nossas estruturas sócio-econômicas está arraigada no que Riane Eisler chamou de "sistema do dominador" de organização social. O patriarcado, o imperialismo, o capitalismo e o racismo são exemplos de dominação exploradora e antiecológica. O ecofeminismo poderia ser encarado como uma escola especial de ecologia social, uma vez que também aborda a dinâmica de dominação social dentro do contexto do patriarcado. Entretanto, sua análise cultural das muitas facetas do patriarcado e das ligações entre feminismo e ecologia vai muito além do arcabouço da ecologia social. Os ecofeministas vêem a dominação patriarcal de mulheres por homens como o protótipo de todas as formas de dominação e exploração: hierárquica, militarista, capitalista e industrialista. Eles mostram que a exploração da natureza, em particular, tem marchado de mãos dadas com a das mulheres, que têm sido identificadas com a natureza através dos séculos. Essa antiga associação entre mulheres e natureza liga a história das mulheres com a história do meio ambiente, e é a fonte de um parentesco natural entre feminismo e ecologia. Conseqüentemente, os ecofeministas vêem o conhecimento vivencial feminino como uma das fontes principais de uma visão ecológica da realidade.

Novos valores

Neste esboço do paradigma ecológico emergente, enfatizei até agora as mudanças nas percepções e nas maneiras de pensar. Se isso fosse tudo o que é necessário, a transição para um novo paradigma seria muito mais fácil. Há, no movimento da ecologia profunda, um número suficiente de pensadores articulados e eloqüentes que poderiam convencer nossos líderes políticos e corporativos acerca dos méritos do novo pensamento. Mas isto é só parte da história. A mudança de paradigmas requer uma expansão não apenas de nossas percepções e maneiras de pensar, mas também de nossos valores. É interessante notar aqui a notável conexão nas mudanças entre pensamentos e valores. Ambas podem ser vistas como mudanças da auto-afirmação para a integração. Essas tendências - a auto-afirmativa - são aspectos essenciais de todos os sistemas vivos. Nenhuma delas é, intrinsecamente, boa ou má. O que é bom, ou saudável, é um equilíbrio dinâmico; o que é mau, ou insalubre, é o desequilíbrio - a ênfase excessiva em uma das tendências em detrimento da outra. Agora, se olharmos para a nossa cultura industrial ocidental, veremos que enfatizamos em excesso as tendências auto-afirmativas e negligenciamos as integrativas. Isso é evidente tanto no nosso pensamento como nos nossos valores. Uma coisa que notamos ao examinar essas tendências opostas lado a lado é que os valores auto-afirmativos - competição, expansão, dominação - estão geralmente associados a homens. De fato, na sociedade patriarcal, eles não apenas são favorecidos como também recebem recompensas econômicas e poder político. Essa é uma das razões pelas quais a mudança para um sistema de valores mais equilibrados é tão difícil para a maioria das pessoas, em especial para os homens. O poder, no sentido de dominação sobre outros, é a auto-afirmação excessiva. A estrutura social na qual é exercida de modo mais efetivo é a hierarquia. De fato, nossas estruturas políticas, militares e corporativas são hierarquicamente ordenadas, com os homens geralmente ocupando os níveis superiores, e as mulheres, os inferiores. A maioria desses homens, e algumas mulheres, chegaram a considerar sua posição na hierarquia como parte de sua identidade e, desse modo, a mudança para um diferente sistema de valores gera neles medo existencial. No entanto, há outro tipo de poder, um poder mais apropriado para o novo paradigma - poder como influência de outros. A estrutura ideal para exercer esse tipo de poder não é a hierarquia, mas a rede, que é também a metáfora central da ecologia. A mudança de paradigma inclui, dessa maneira, uma mudança na organização social, uma mudança de hierarquias para redes.

Ética

Toda a questão dos valores é fundamental para a ecologia profunda; é, de fato, sua característica definidora central. Enquanto o velho paradigma está baseado em valores antropocêntricos (centralizados no ser humano), a ecologia profunda está alicerçada em valores ecocêntricos (centralizados na Terra). É uma visão de mundo que reconhece o valor inerente da vida não-humana. Todos os seres vivos são membros de comunidades ecológicas ligadas umas às outras numa rede de interdependências. Quando essa percepção ecológica profunda torna-se parte de nossa consciência cotidiana, emerge um sistema de ética radicalmente novo. Essa ética ecológica profunda é urgentemente necessária nos dias de hoje, especialmente na ciência, uma vez que a maior parte daquilo que os cientistas fazem não atua no sentido de promover a vida nem de preservá-la, mas sim no sentido de destruir a vida. Com os físicos projetando sistemas de armamentos que ameaçam eliminar a vida do planeta, com os químicos contaminando o meio ambiente global, com os biólogos pondo à solta tipos novos e desconhecidos de microorganismos sem saber as conseqüências, com psicólogos e outros cientistas torturando animais em nome do progresso científico - com todas essas atividades em andamento, parece da máxima urgência introduzir padrões "ecoéticos" na ciência. Geralmente, não se reconhece que os valores não são periféricos à ciência e `tecnologia, mas constituem sua própria base e força motriz. Durante a revolução científica no século 17, os valores eram separados dos fatos, e desde essa época tendemos a acreditar que os fatos científicos são independentes daquilo que fazemos, e são, portanto, independentes dos nossos valores. Na realidade, os fatos científicos emergem de toda uma constelação de percepções, valores e ações humanos - em uma palavra, emergem de um paradigma - dos quais não podem ser separados. Embora grande parte das pesquisas detalhadas possa não depender explicitamente do sistema de valores do cientista, o paradigma mais amplo, em cujo âmbito essa pesquisa é desenvolvida, os cientistas são responsáveis pelas suas pesquisas não apenas intelectual mas também moralmente. Dentro do contexto da ecologia profunda, a visão segundo a qual esses valores são inerentes a toda a natureza viva está alicerçada na experiência profunda, ecológica ou espiritual, de que a natureza e o eu são um só. Essa expansão do eu até a identificação com a natureza é a instrução básica da ecologia profunda.

(*) O texto aqui apresentado é um excerto do capítulo 1, "Ecologia Profunda - Um Novo Paradigma", de A Teia da Vida - Uma Nova Compreensão Científica dos Sistemas Vivos, recém-lançado no Brasil pela Editora Cultrix. Tradução: Newton Roberval Eichemberg.
Revista Nova Era n.5 - Um Guia para a Era de Aquário é uma publicação da PLANETA.


fonte:  http://hps.infolink.com.br/peco/nage_02.htm

ECOLOGIA PROFUNDA

14:27 Maisa

Conceito proposto pelo filósofo e ecologista norueguês Arne Naess em 1973, a Ecologia Profunda é um conceito filosófico que vê a humanidade como mais um fio na teia da vida. Cada elemento da natureza, inclusive a humanidade, deve ser preservado e respeitado para garantir o equilíbrio do sistema da biosfera.

Enquanto a ecologia seria um estudo das interações entre os seres vivos e destes com o ambiente, a Ecologia Profunda é uma forma de pensar e agir, dentro da ecologia ou de qualquer outra atividade.

O conceito foi proposto como uma resposta ao paradigma dominante e à visão dominante sobre o uso dos recursos naturais.

Influências

A ecologia profunda possui influência do pensamento de Gandhi, Thoreau, Rousseau, Aldo Leopoldo e muitos outros.

Arne Naess era também estudioso do Budismo e de filosofias orientais, influências marcantes no modo de agir do ecologista profundo. É sensível a influência que a filosofia taoista exerceu sobre todo o movimento ecológico.

É notável também que diversas sociedades humanas, especialmente indígenas, praticavam uma vida de acordo com este modo de ver e agir a respeito da biosfera. A definição mais recorrente de Ecologia Profunda se dá justamente por meio do discurso do índio norte-americano Chefe Seattle. Em sua carta ao presidente Franklin Pierce, ele afirma:

"De uma coisa sabemos. A terra não pertence, ao homem: é o homem que pertence à terra. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizer à trama, a si próprio fará."

Pelo lado científico, há grande influência de novas descobertas científicas como a teoria da complexidade e a teoria do caos. Baseia-se em novas formas científicas de pensar, conhecidas como pensamento sistêmico.

Definição de autores

Nas palavras de Fritjof Capra: "O ambientalismo superficial é antropocêntrico. Vê o homem acima ou fora da natureza, como fonte de todo valor, e atribui a natureza um valor apenas instrumental ou de uso. A Ecologia Profunda não o separa do ambiente natural nem qualquer outro ser. Vê o mundo como uma teia de fenômenos essencialmente inter-relacionados e interdependentes. Ela reconhece que estamos todos inseridos nos processos cíclicos da natureza e somos dependentes deles".

A introdução do livro "A Vida Secreta da Natureza", de Carlos Cardoso Aveline, define assim a Ecologia Profunda: "A natureza, cuja evolução é eterna, possui valor em si mesma, independentemente da utilidade econômica que tem para o ser humano que vive nela. Esta ideia central define a chamada ecologia profunda – cuja influência é hoje cada vez maior – e expressa a percepção prática de que o homem é parte inseparável, física, psicológica e espiritualmente, do ambiente em que vive".


ARNE NAESS
Arne Dekke Eide Naess (27 de janeiro de 1912 – 12 de janeiro de 2009) foi um filósofo e ecologista norueguês, inventor da teoria da ecologia profunda.

Formado em filosofia em 1933, foi o professor mais jovem já contratado pela Universidade de Oslo, com apenas 27 anos. Naess, iniciou seus estudos em ecologia no início da década de 1970 e em 1973 formulou o conceito de ecologia profunda onde afirma que a humanidade é como mais um fio na teia da vida, cada elemento da natureza, inclusive a humanidade, deve ser preservado e respeitado para garantir o equilíbrio do sistema da biosfera.

SITE MUNDO SUSTENTÁVEL

13:01 Maisa

ACESSE O SITE MUNDO SUSTENTÁVEL - TÓPICO ESPIRITUALIDADE

 Diversas religiões e tradições espirituais têm se manifestado sobre a crise ambiental que ameaça a vida no planeta.Apresentamos uma seleção de textos que confirmam a existência de uma teologia ambiental, e uma preocupação crescente dessas tradições em ratificar a presença do sagrado nas mais diversas manifestações de vida.

 

http://www.mundosustentavel.com.br/espiritualidade/

TRECHO DE PALESTRA

12:54 Maisa


Palestra: Ecologia na Obra de Chico Xavier - André Trigueiro
Trecho da Conferência: Ecologia na Obra de Chico Xavier - André Trigueiro realizada no dia 17/04/2010 no 3º Congresso Espírita Brasileiro em Brasilia/DF.

ESPIRITISMO E ECOLOGIA

12:37 Maisa

É urgente que o movimento espírita absorva e contextualize, à luz da doutrina, os sucessivos relatórios científicos que denunciam a destruição sem precedentes dos recursos naturais não renováveis, no maior desastre ecológico de origem antrópica da história do planeta. Os atuais meios de produção e de consumo precipitaram a humanidade na direção de um impasse civilizatório, onde a maximização dos lucros tem justificado o uso insustentável dos mananciais de água doce, a desertificação do solo, o aquecimento global, a monumental produção de lixo, entre outros efeitos colaterais de um modelo de desenvolvimento “ecologicamente predatório, socialmente perverso e politicamente injusto”.

Na pergunta 705 do Livro dos Espíritos, no capítulo que versa sobre a Lei de Conservação, Allan Kardec pergunta: “Porque nem sempre a terra produz bastante para fornecer ao homem o necessário?”, ao que a espiritualidade responde: “É que, ingrato, o homem a despreza! Ela, no entanto, é excelente mãe. Muitas vezes, também, ele acusa a Natureza do que só é resultado da sua imperícia ou da sua imprevidência. A terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se” (...).

É evidente que em uma sociedade de consumo, nenhum de nós se contenta apenas com o necessário. A publicidade se encarrega de despertar apetites vorazes de consumo do não necessário - daquilo que é supérfluo, descartável, inessencial - renovando a cada nova campanha a promessa de felicidade que advém da posse de mais um objeto, seja um novo modelo de celular, um carro ou uma roupa. Para nós espíritas, é fundamental que o alerta contra o consumismo seja entendido como uma dupla proteção : ao meio ambiente - que não suporta as crescentes demandas de matéria-prima e energia da sociedade de consumo, onde a natureza é vista como um grande e inesgotável supermercado – e ao nosso espírito imortal, já que, segundo a doutrina espírita, uma das características predominantes dos mundos inferiores da Criação é justamente a atração pela matéria. Nesse sentido, não há distinção entre consumismo e materialismo, e nossa invigilância poderá custar caro ao projeto evolutivo que desejamos encetar . Essa questão é tão crucial para o Espiritismo, que na pergunta 799 do Livro dos Espíritos, quando Kardec pergunta “de que maneira pode o Espiritismo contribuir para o progresso?”, a resposta é taxativa: “Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade.(...)”

Uma das mais prestigiadas organizações não governamentais do mundo, o Worldwatch Institute, com sede em Washington, divulga anualmente o relatório “Estado do Mundo”, uma grande compilação de dados e estudos científicos que revelam os estragos causados pelo atual modelo de desenvolvimento. Na última versão do relatório, referente ao ano de 2004, afirma-se que “o consumismo desenfreado é a maior ameaça à humanidade”. Os pesquisadores do Worldwatch denunciam que “altos níveis de obesidade e dívidas pessoais, menos tempo livre e meio ambiente danificado são sinais de que o consumo excessivo está diminuindo a qualidade de vida de muitas pessoas”.

Aos espíritas que mantém uma atitude comodista diante do cenário descrito nessas breves linhas, escorados talvez na premissa determinista de que tudo se resolverá quando se completar a transição da Terra ( de mundo de expiações e de provas para mundo de regeneração) é bom lembrar do que disse Santo Agostinho no capítulo III do Evangelho Segundo o Espiritismo. Ao descrever o mundo de regeneração, Santo Agostinho diz que mesmo livre das paixões desordenadas, num clima de calma e repouso, a humanidade ainda estará sujeita “às vicissitudes de que não estão isentos senão os seres completamente desmaterializados; há ainda provas a suportar (...) e que “nesses mundos, o homem ainda é falível, e o Espírito do mal não perdeu , ali, completamente o seu império. Não avançar é recuar , e se não está firme no caminho do bem, pode voltar a cair nos mundos de expiação, onde o esperam novas e terríveis provas”. Ou seja, não há mágica no processo evolutivo: nós já somos os construtores do mundo de regeneração, e , se não corrigirmos o rumo na direção do desenvolvimento sustentável, prorrogaremos situações de desconforto já amplamente diagnosticadas.

Não é possível, portanto, esperar a chegada do mundo de regeneração de braços cruzados. Até porque, sem os devidos méritos evolutivos, boa parte de nós deverá retornar à esse mundo pelas portas da reencarnação. Se ainda quisermos encontrar aqui estoques razoáveis de água doce, ar puro, terra fértil, menos lixo e um clima estável - sem os flagelos previstos pela queima crescente de petróleo, gás e carvão que agravam o efeito estufa – deveremos agir agora, sem perda de tempo.

Depois que a ONU decretou que 2003 seria o ano internacional da água doce, os católicos não hesitaram em, pela primeira vez em 40 anos de Campanha da fraternidade, eleger um tema ecológico: “Água: fonte de vida”. Mais de 10 mil paróquias em todo o Brasil foram estimuladas a refletir sobre o desperdício, a poluição e o aspecto sagrado desse recurso fundamental à vida. E nós espíritas? O que fizemos, ou o que pretendemos fazer? O grande Mahatma Gandhi - que afirmou certa vez que toda bela mensagem do cristianismo poderia ser resumida no sermão da montanha – nos serve de exemplo, quando diz “sejamos nós a mudança que nós queremos ver no mundo”.

http://www.mundosustentavel.com.br/wp-content/uploads/2011/05/espirito.pdf 

Fonte
André Trigueiro (autor deste artigo)
Escritor, Jornalista da TV Globo e
autor do livro 'Mundo Sustentável'

O que o Espiritismo e a Ecologia têm em comum? 
O leitor se surpreenderá com as muitas afinidades existentes entre essas duas áreas do conhecimento que surgiram na mesma região do planeta há aproximadamente 150 anos, e que hoje despertam interesse e curiosidade crescentes. Espíritas e ecologistas utilizam a visão sistêmica para defender a biodiversidade, o uso sustentável dos recursos naturais, o consumo consciente, a primazia dos projetos coletivos em detrimento do individualismo. São tantas afinidades, que certas obras espíritas poderiam perfeitamente embasar alguns postulados ecológicos.
site livraria FEB - FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA:
http://www.feblivraria.com.br/Livros/Ciencia/Espiritismo-e-ecologia.html?acao=DT&prod_id=134511&dep=1190&secao=4357&pedido=15976157&codbar=9788573286359 

ECONOMIA, ECOLOGIA E BUDISMO

12:06 Maisa


Neste vídeo o Lama Padma Samten apresenta um diagnóstico da situação de desastre ecológico em que nos encontramos, empregando uma avaliação baseada na visão budista e apresenta caminhos para que esta situação possa ser superada.

O ANTROPOCENO

11:43 Maisa

O antropoceno: uma nova era geológica

 Leonardo Boff *

As crises clássicas conhecidas, como por exemplo a de 1929, afetaram profundamente todas as sociedades. A crise atual é mais radical, pois está atacando o nosso modus essendi: as bases da vida e de nossa civilização. Antes, dava-se por descontado que a Terra estava aí, intacta e com recursos inesgotáveis. Agora não podemos mais contar com a Terra sã e abundante em recursos. Ela é finita, degradada e com febre, não suportando mais um projeto infinito de progresso.

A presente crise desnuda a enganosa compreensão dominante da história, da natureza e da Terra. Ela colocava o ser humano fora e acima da natureza com a excepcionalidade de sua missão, a de dominá-la. Perdemos a noção de todos os povos originários de que pertencemos à natureza. Hoje diríamos, somos parte do sistema solar, de nossa galáxia, que, por sua vez, é parte do universo. Todos surgimos ao longo de um imenso processo evolucionário.

Tudo é alimentado pela energia de fundo e pelas quatro interações que sempre atuam juntas: a gravitacional, a eletromagnética e a nuclear – fraca e forte. A vida e a consciência são emergências desse processo. Nós humanos, representamos a parte consciente e inteligente da Via-Láctea e da própria Terra, com a missão não de dominá-la, mas de cuidar dela para manter as condições ecológicas que nos permitem levar avante nossa vida e a civilização.

Ora, essas condições estão sendo minadas pelo atual processo produtivista e consumista. Já não se trata de salvar nosso bem estar, mas a vida humana e a civilização. Se não moderarmos nossa voracidade e não entrarmos em sinergia com a natureza dificilmente sairemos da atual situação. Ou substituímos essas premissas equivocadas por melhores ou corremos o risco de nos autodestruir. A consciência do risco não é ainda coletiva.

Importa reconhecer um dado do processo evolucionário que nos perturba: junto com grande harmonia, coexiste também extrema violência. A Terra mesma, no seu percurso de 4,5 bilhões de anos, passou por várias devastações. Em algumas delas perdeu quase 90% de seu capital biótico. Mas a vida sempre se manteve e se refez com renovado vigor.

A última grande dizimação, um verdadeiro Armagedon ambiental, ocorreu há 67 milhões de anos, quando no Caribe, próximo a Yucatán, no México, caiu um meteoro de quase 10 km de extensão. Produziu um tsunami com ondas do tamanho de altos edifícios. Ocasionou um tremor que afetou todo o planeta, ativando a maioria dos vulcões. Uma imensa nuvem de poeira e de gases foi ejetada ao céu, alterando, por dezenas de anos, todo o clima da Terra. Os dinossauros que por mais de cem milhões de anos reinavam, soberanos, por sobre toda a Terra, desapareceram totalmente. Chegava ao fim a era mesozóica, dos répteis e começava a era cenozóica, dos mamíferos. Como que se vingando, a Terra produziu uma floração de vida como nunca antes.

Nossos ancestrais primatas surgiram por essa época. Somos do gênero dos mamíferos.

Mas eis que nos últimos 300 anos o homo sapiens/demens montou uma investida poderosíssima sobre todas as comunidades ecossistêmicas do planeta, explorando-as e canalizando grande parte do produto terrestre bruto para os sistemas humanos de consumo. A consequência equivale a uma dizimação como outrora. O biólogo E. Wilson fala que a “humanidade é a primeira espécie na história da vida na Terra a se tornar numa força geofísica” destruidora. A taxa de extinção de espécies produzidas pela atividade humana é 50 vezes maior do que aquela anterior à intervenção humana. Com a atual aceleração, dentro de pouco tempo, continua Wilson, poderemos alcançar a cifra de mil até dez mil vezes mais espécies exterminadas pelo voraz processo consumista. O caos climático atual é um dos efeitos.

O Prêmio Nobel de Química de 1995, o holandês Paul J. Crutzen, aterrorizado pela magnitude do atual ecocídio, afirmou que inauguramos uma nova era geológica: o antropoceno. É a idade das grandes dizimações perpetradas pela irracionalidade do ser humano(em grego ántropos). Assim termina tristemente a aventura de 66 milhões de anos de história da era cenozóica. Começa o tempo da obscuridade.

Para onde nos conduz o antropoceno? Cabe refletir seriamente.

*Leonardo Boff, escritor, filósofo e teólogo, é autor de Cuidar da terra – proteger a vida (Record, 2010).

DO TECNOZÓICO PARA O ECOZÓICO

10:47 Maisa

A difícil passagem do tecnozóico ao ecozóico

As grandes crises comportam grandes decisões. Há decisões que significam vida ou morte para certas sociedades, para uma instituição ou para uma pessoa. A situação atual é a de um doente ao qual o médico diz: ou você controla …

Leonardo Boff*

As grandes crises comportam grandes decisões. Há decisões que significam vida ou morte para certas sociedades, para uma instituição ou para uma pessoa.

A situação atual é a de um doente ao qual o médico diz: ou você controla suas altas taxas de colesterol e sua pressão ou vai enfrentar o pior. Você escolhe.

A humanidade como um todo está com febre e doente e deve decidir: ou continuar com seu ritmo alucinado de produção e consumo, sempre garantindo a subida do PIB nacional e mundial, ritmo altamente hostil à vida, ou enfrentar dentro de pouco as reações do sistema-Terra, que já deu sinais claros de estresse global. Não tememos um cataclisma nuclear, não impossível mas improvável, o que significaria o fim da espécie humana. Receamos, isto sim, como muitos cientistas advertem, por uma mudança repentina, abrupta e dramática do clima, que rapidamente dizimaria muitíssimas espécies e colocaria sob grande risco  a nossa civilização.

Isso não é uma fantasia sinistra. Já o relatório do IPPC de 2001 acenava para esta eventualidade. O relatório da U.S. National Academy of Sciences de 2002 afirmava que recentes evidências científicas apontam para a presença de uma acelerada e vasta mudança climática. O novo paradigma de uma abrupta mudança no sistema climático está bem estabelecido pela pesquisa já há dez anos. No entanto, esse conhecimento é pouco difundido e parcamente tomado em conta pelos analistas sociais. Richard Alley, presidente da U.S. National Academy of Sciences Committee on Abrupt Climate Change, com seu grupo comprovou que, ao sair da última idade do gelo, há 11 mil anos, o clima da Terra subiu nove graus em apenas dez anos (dados em R.W.Miller, Global Climate Disruption and Social Justice, New York, 2010). Se isso ocorrer conosco, estaríamos enfrentando uma hecatombe ambiental e social de consequências dramáticas.

O que está, finalmente, em jogo com a questão climática? Estão em jogo duas práticas em relação à Terra e a seus recursos limitados. Elas fundam duas eras de nossa história: a tecnozóica e a ecozóica.

Na tecnozóica se utiliza um potente instrumental, inventado nos últimos séculos, a tecno-ciência, com a qual se explora de forma sistemática e com cada vez mais rapidez todos os recursos, especialmente em benefício para as minorias mundiais, deixando à margem grande parte da humanidade.

Praticamente toda a Terra foi ocupada e explorada. Ela ficou saturada de toxinas, elementos químicos e gases de efeito estufa a ponto de perder sua capacidade de metabolizá-los. O sintoma mais claro dessa sua incapacidade é a febre que tomou conta do planeta.

Na ecozóica, se considera a Terra dentro da evolução. Por mais de 13,7 bilhões de anos o universo existe e está em expansão, empurrado pela insondável energia de fundo e pelas quatro interações que sustentam e alimentam cada coisa. Ele constitui um processo unitário, diverso e complexo que produziu as grandes estrelas vermelhas, as galáxias, o nosso Sol, os planetas e nossa Terra. Gerou também as primeiras células vivas, os organismos multicelulares, a proliferação da fauna e da flora, a autoconsciência humana pela qual nos sentimos parte do Todo e responsáveis pelo planeta. Todo esse processo envolve a Terra até o momento atual.

Respeitado em sua dinâmica, ele permite à Terra manter sua vitalidade e seu equilíbrio.

O futuro se joga entre aqueles comprometidos com a era tecnozóica  com os riscos que encerra e aqueles que assumiram a ecozóica, lutam para manter os ritmos da Terra, produzem e consomem dentro de seus limites e que colocam a perpetuidade e o bem-estar humano e da comunidade terrestre como seu principal interesse.

Se não fizermos essa passagem, dificilmente escaparemos do abismo, já cavado lá na frente.

* Leonardo Boff, escritor, filósofo e teólogo, é autor de Cuidar da terra – proteger a vida (Record, 2010).

fonte: http://congressoemfoco.uol.com.br/opiniao/forum/a-dificil-passagem-do-tecnozoico-ao-ecozoico/

A ERA ECOZÓICA

10:17 Maisa

Maurício Andrés Ribeiro (*)

"Todos nós temos nosso trabalho particular. Temos uma variedade de ocupações. Mas além do trabalho que desempenhamos e da vida que levamos, temos uma Grande Obra na qual todos estamos envolvidos e ninguém está isento: é a obra de deixar uma era cenozóica terminal e ingressar na nova Era Ecozóica  na história do Planeta Terra. Esta é a Grande Obra". Thomas Berry

A história natural define grandes eras, períodos e épocas da evolução da Terra. São as eras geológicas, os longos lapsos de tempo, medidos em milhões de anos. Nos primórdios havia a matéria e posteriormente surgiu a vida, com a dominância de algumas espécies, e com tipos de climas diferenciados. Em algumas dessas etapas, a vida surgiu nos oceanos; em outras dominaram os dinossauros e mais recentemente tiveram lugar os grandes mamíferos. Em seguida, surgiu o homo sapiens; a consciência humana passa a ser forte vetor na evolução.
Na reflexão sobre a atual crise ecológica, é relevante suprir a lacuna conceitual referente a esses grandes ciclos do tempo e dar ressonância, divulgar e comunicar tais  conceitos.

ERAS GEOLÓGICAS

Milhões de anos

ECOZÓICA
  Séc. XXI – ?
CENOZÓICA 
1.8 – 65
MESOZÓICA 
145 – 250
PALEOZÓICA 
290 – 590

Estamos numa transição de eras, na qual ocorrem mudanças climáticas e extinções em massa de espécies. Transitamos da época recente (iniciada há 10.000 anos) do período quaternário da era cenozóica – iniciado há um milhão e 800 mil anos – para uma nova etapa: a era ecozóica. Estamos no início de uma era que depende de uma relação amadurecida com o meio ambiente, ancorada numa nova percepção e em nova consciência.
A era ecozóica está em construção. Como no mito hindu da dança do Deus Shiva, estamos num processo de destruição criadora; a era cenozóica está em destruição, em demolição.
Na era ecozóica considera-se que todo o universo é uma comunidade interativa de seres e sujeitos, com forte dimensão psíquico-espiritual; que o universo se encontra em evolução; que hoje a atividade humana é determinante nessa evolução; que são necessários um mito unificador para todas as culturas humanas e a espiritualidade ecológica. Mulheres, povos indígenas, a ciência, as tradições humanísticas e religiosas tem um papel importante para redefinir conceitos de valor, sentido e realização e para estabelecer normas de conduta para a Era Ecozóica. A era ecozóica depende da mudança de consciência e de comportamento humano.
Nessa era, a espécie humana toma consciência de pertencer à natureza e de, por meio de sua cultura, ciência e tecnologia, ser capaz de influir sobre o rumo da evolução, seja de forma construtiva, aprimorando geneticamente espécies existentes, seja de forma destrutiva, alterando o clima e os habitats, e causando assim a mortandade e a extinção em massa de espécies vegetais e animais.
 A espécie humana toma consciência de que é gestora da evolução. A era ecozóica é construída a partir da ecologização de tudo e de todos: da consciência, do pensamento, das palavras e discursos, das atitudes e comportamentos individuais ou coletivos.
Ecologizar significa aplicar os princípios das ciências ecológicas às situações da vida individual e coletiva.
As ciências ecológicas deixaram de ser um campo das ciências biológicas e  hoje se ramificam numa multiplicidade de campos, das ciências humanas e sociais,  a partir de suas origens na biologia.

(*) Autor de Ecologizar, pensando o ambiente humano
  

ERA ECOZÓICA

09:58 Maisa

Quando pensamos sobre a forma futura de uma Comunidade Terra integrante podemos começar com a observação de que, na sequência de períodos biológicos do desenvolvimento da Terra que estão atualmente na fase terminal do Cenozóico e a fase emergente da era Ecozoica. O Cenozóico é o período de desenvolvimento biológico que ocorreu durante estes últimos 65 milhões de anos. O Ecozoico é o período em que a conduta humana será guiada pelo ideal de uma comunidade de terra integral, um período quando os seres humanos estarão presentes sobre a Terra de uma forma mutuamente reforço.

O período Cenozóico está sendo finalizado por uma massiva extinção de formas vivas que está ocorrendo em uma escala igualada apenas pelas extinções que ocorreram no final do Paleozóico cerca de 220 milhões de anos atrás e no final do Mesozóico alguns 65 milhões anos atrás. A única opção viável diante de nós é entrar em um período Ecozoico, o período de uma comunidade integral, que inclui todos os componentes humanos e não-humanos que constituem o planeta Terra.

O primeiro princípio da era Ecozoica é reconhecer que o Universo é principalmente uma comunhão de pessoas, e não uma coleção de objetos. Isto é especialmente verdadeiro do planeta Terra. Cada ser tem seu próprio lugar eo seu próprio papel adequado para o funcionamento do planeta, a sua própria apresentação de si mesmo que pode ser identificado como a sua voz.

Nossa dificuldade é que nós nos tornamos autistsa. Nós não ouvimos o que a terra, sua paisagem, seus fenômenos atmosféricos e todas as suas formas de vida, suas montanhas e vales, a chuva, o vento, e toda a flora e fauna do planeta estão nos dizendo. Desde o século XVII não ouvimos, não entendemos o mundo interior de nós. Temos experimentado os fenômenos externos. Não tivemos nenhuma entrada no mundo do sentido interior. Nós não ouvimos as vozes.

Até fazemos ouvir, até que nós façamos ouvir essas vozes e entender o que elas estão nos dizendo, nossas vidas continuarão a ser ceifadas, nosso julgamento tão absurdo, tão destrutivo como podemos observar atualmente no que temos feito para o solo, a água , o ar, e as formas de vida dos mais belos deste de planetas. Nós apreciamos ou reverenciamos o planeta se quisermos formar uma Comunidade da Terra viável.

Para alcançar esta intimidade com o Terra precisamos de novas sensibilidades religiosas. As religiões redenção orientados em suas formas tradicionais de ter cumprido uma parte significativa da sua missão histórica. Religião cosmologicamente orientada é o caminho para o futuro. Precisamos reconhecer a história do universo como o conhecemos através de nossas ciências empíricas como a nossa história sagrada. Desde o seu início o universo teve um psíquico-espiritual, bem como uma dimensão físico-material.

Terra de uma maneira especial deu expressão a esta dimensão psíquico-espiritual do universo. O ser humano pertence entre essas formas. Ela estabelece com eles uma única comunidade. Não há modo eficaz religiosa ou espiritual do ser para o ser humano em isolamento dessa comunidade. O mundo visível sobre nós é nossa escritura primária, a primeira manifestação do divino, e este para as comunidades humanas em todo o planeta inteiro.

Um segundo princípio da era Ecozoica que possa ser proposto é o princípio ético de que além de suicídio, homicídio e genocídio, há crimes mais violentos - biocida e geocida: biocida, o brutal massacre dos sistemas de vida do planeta; geocida , o assassinato do próprio planeta em suas principais formas de expressão. Em última análise, os seres humanos não pode extinguir a vida no planeta. O que os humanos podem fazer é danificar gravemente o planeta além da recuperação de sua antiga grandeza dentro de qualquer período de compreensível do tempo histórico humano. Este de alguma maneira merece a designação de geocida.

Podemos indicar o terceiro princípio da era Ecozoica observando que o ser humano é derivado, a Terra é primário. A principal preocupação de todas as profissões, institutos e a atividade do ser humano revela-se menos que torna esta grande comunidade de terra seu referente primário.

Assim, com Economia, a primeira preocupação, o primeiro princípio de entendimento, deve ser a integridade econômica do planeta. A preocupação com o produto bruto da Terra deve ser a principal preocupação, não o produto bruto humanos. Apenas dentro do ciclo que sempre se renova na Terra a produtividade pode ser sustentada a produtividade humana.

Assim, com as profissões de cura, a principal preocupação deve ser a manutenção do bem-estar integral do planeta. Nem mesmo com todas as nossas ciências e tecnologias médicas podemos estabelecer os seres humanos bem em um planeta doente.

O quarto princípio pode propor que, no futuro, a Terra vai funcionar de forma diferente do que tem funcionado no passado. Ao longo do Cenozóico da Terra evoluíram de forma independente do ser humano. No período emergente Ecozoico quase nada irá acontecer que não sejam de alguma forma relacionada com a humana. Não, porém, que irá controlar o funcionamento interno do planeta. Nós não podemos fazer uma folha de grama. Mas não é susceptível de não ser uma folha de grama se não for aceito, protegida e promovida pelo ser humano. Temos responsabilidades completamente novas e abrangentes já que nunca tivemos antes. Em última análise, deve ser diminuir a domesticação do planeta e assistir ao deserto, para reativar-se. Uma contradição, talvez. Mas o que é necessário é que aceitamos e fomentar as forças selvagens férteis do planeta que estão constantemente sendo enfraquecidos, a menos que os seres humanos retirarem sua presença aterradora e concedam aos outros membros da Comunidade da Terra os seus direitos de habitat e sua parcela de benefícios da Terra .

O quinto princípio poderia propor que qualquer progresso válido deve ser o progresso da comunidade inteira, o progresso do ser humano em detrimento dos membros não-humanos da comunidade. Para designar pilhagem humana da planta, como progresso é um absurdo além de qualquer descrição.

Um sexto princípio orientador o futuro poderá propor a necessidade de celebração. O universo ao longo de sua vasta extensão no espaço e sua seqüência de transformações no tempo pode ser considerado um evento multiforme única celebração. O propósito do planeta Terra parece ser a de apresentar um modo de culminando celebração de expressão, algo para justificar as galáxias emergentes, as explosões de supernovas que os elementos foram formados, a formação do sistema solar, o surgimento deste planeta privilegiado. Quando perguntamos qual é o significado do vôo dos pássaros, a sua canção, o que é o significado do delta tranquila de peixes através do mar, o que é o significado da canção noite da cigarra: podemos realmente atribuir alguma resposta pragmática , mas que não iria para o significado mais profundo dos fenômenos. Isso nós encontramos sob a rubrica de celebração.

Assim, com o ser humano, nossa entrada no período Ecozoico só pode vir através da celebração da grandeza e da beleza e a alegria da existência sobre o planeta Terra. Quando começamos a celebrar, todas as coisas se tornam possíveis, mesmo numa época Ecozoica.

Thomas Berry foi um historiador da cultura, ex-presidente da Associação Americana de Teilhard, diretor do Centro de Pesquisas Religiosas Riverdale em Nova York, autor da Teoria Histórico de Giambattista Vico, As Religiões da Índia, o budismo, e mais recentemente The Dream da Terra, publicado pela Livros do Sierra Club, bem como numerosos artigos sobre as relações humano-terra.


 Copyright © 1996. The Light Light.


fonte: http://www.lightparty.com/Visionary/EcozoicEra.html
Tradução: Google tradutor

THOMAS BERRY

09:45 Maisa

Thomas Berry, C.P. (Greensboro, 9 de novembro de 1914 – ibid., 1 de junho de 2009) foi um sacerdote católico norte-americano da ordem Passionista, historiador cultural e eco-teólogo (embora preferisse ser descrito como cosmólogo e “Acadêmico da Terra”).

Dentre os defensores da ecologia profunda e "eco-espiritualidade", é conhecido por propor que um entendimento profundo da história e do funcionamento do universo em evolução é a inspiração e orientação necessária para o nosso próprio funcionamento como indivíduos e como espécie.

Nascido William Nathan Berry em Greensboro, Carolina do Norte, Thomas Berry foi o terceiro de 13 irmãos. Aos oito anos, concluiu que os valores comerciais ameaçavam a vida na Terra. Em seu principal livro, "The Great Work", Thomas Berry conta como, três anos mais tarde, ao explorar os campos que circundavam sua nova residência, ainda inacabada, teve uma epifania que influenciou profundamente seu pensamento e sua atitude em relação à vida. "Tudo o que preserva e aperfeiçoa esse campo nos ciclos naturais de sua transformação é bom", escreve ele, "tudo o que se opõe a esse campo ou o nega não é bom". Mais tarde, Berry elaborou essa experiência através de um conjunto de doze princípios para o entendimento do universo e o papel do ser humano no processo do universo. O primeiro princípio reza que:

"O universo, o sistema solar e o planeta Terra em si e em sua emergência evolutiva constituem, para a comunidade humana, a principal revelação do mistério fundamental a partir do qual todas as coisas surgem."

fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Berry
site: http://www.thomasberry.org/


Thomas Berry faleceu aos 94 anos
Influente ambientalista, filósofo e teólogo criou o conceito de Era Ecozóica
2009-06-04


Thomas Berry, padre Católico de formação, reconhecido ambientalista e filósofo, faleceu na passada segunda-feira, aos 94 anos, na sua terra natal, Greensboro, na Carolina do Norte, Estados Unidos da América. Nascido a 9 de Novembro de 1914, Thomas Berry foi acima de tudo um pensador independente que conseguiu o reconhecimento em inúmeras áreas, desde a Filosofia à Ecologia, passando pela História e a Religião.

 É considerado o mentor de inúmeros pensadores contemporâneos e escreveu dezenas de livros, nenhum deles editado em Portugal, como «The Religions of India» (1972), «The Dream of the Earth» (1988) ou «The Universe Story: From the Primordial Flaring Forth to the Ecozoic Era, A Celebration of the Unfolding of the Cosmos» (1992), com o físico Brian Swimme.

Os livros de Thomas Berry inspiraram académicos e ambientalistas a explorar a interligação da religião, da natureza humana e da ecologia. Apesar da ter formação católica e ser especialista em tradições religiosas, Berry preferia não ser designado como padre, mas antes de cosmólogo e “académico da Terra”. Na verdade, largou a vida monástica para se dedicar ao estudo da História das Religiões e da Cultura.


  Nos anos 80, escreveu uma série de livros onde relacionava a evolução cultural e espiritual com a história natural dos planetas e do universo. Michael Colebrook, um especialista da sua obra, explica os elementos chave do seu pensamento (na obra «Thomas Berry, Geologian»).

 Primeiro, Berry sublinha o lugar primordial do universo: “O universo é a única realidade auto-referencial no mundo fenomenológico. É o único texto sem contexto. Tudo o resto tem de ser visto no contexto do universo". O segundo elemento é o significado da história, em particular do universo enquanto história. “A história do universo é a quintessência da realidade. Nós sentimos a história e organizámo-la na nossa linguagem. Os pássaros e as árvores organizam-na na sua própria linguagem. Tudo conta a história do universo porque esta está impressa em todo o lado e por isso é tão importante conhecê-la. Quem não conhece a história, num certo sentido não se conhece a si mesmo nem conhece nada”.

 Thomas Berry foi a primeira e mais importante voz a descrever os resultados da profunda separação entre o ser humano e o mundo natural e do impacto que esse fenómeno tem no futuro da nossa espécie. O cosmólogo acreditava que a humanidade, depois de passar gerações a gloriar-se a si própria e a despojar o mundo, irá chegar a um ponto de equilíbrio e abraçar o seu papel como uma parte vital de algo maior – o Cosmos – onde a interdependência e a comunhão com os outros elementos que o constituem é essencial. O resultado disso será uma nova era, a que ele chama Era Ecozóica.

 Da Religião à Ecologia

 Thomas Berry foi ordenado padre em 1942 mas prosseguiu a vida académica, doutorando-se na Universidade Católica Americana com uma dissertação sobre Filosofia e História. Em 1948 mudou-se para a China para ensinar na Universidade Fu Jen, de Pequim. Com a ascensão de Mao Zedong viu-se obrigado a voltar para os Estados Unidos apenas um ano depois. Estudou língua e cultura chinesa na Seton Hall University, bem como sânscrito e cultura asiática na Universidade de Columbia. Foi também capelão do Exército norte-americano entre 1951 e 1954, na Alemanha.

 Entre 1966 e 1979, ensinou na Fordham University, onde criou um doutoramento em História das Religiões. Alguns dos seus alunos fundaram um movimento focado nos temas da Religião e da Ecologia. Mais tarde, Berry organizou uma série de conferências internacionais com temas bastante provocatórios, entre elas, a que intitulou de «Energia e as suas dimensões cósmico-humanas».
 Escreveu dois livros sobre religiões asiáticas – «Buddhism», 1966, e «Religions of India», em 1971. Contudo, tornou-se particularmente conhecido pelos seus livros sobre o lugar do ser humano no Cosmos, como é exemplo «The Dream of the Earth», de 1988. Outro dos seus livros mais conhecidos é «The Great Work: Our Way Into the Future», publicado em 1999.


fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=32247&op=all